Uma festa luso-brasileira que, ao final, configure uma
humilhação, para uma das partes, deveria ser evitada. E não há motivo, seja ele
de que natureza for, que realce tal confraternização.
Brasil 6 - Portugal 2, foi a contagem final do
amistoso realizado em Brasília, entre os dois países irmãos, que deixou
constrangimento entre amigos, entre irmãos, entre marido e mulher, e outros
relacionamentos assimétricos, também rotulados familiares.
Para além do resultado, considerado humilhante, havemos
de olhar a pobreza do espetáculo oferecido pelos contendores, já que durante a
maior parte do tempo de jogo os portugueses não tocaram na bola, esta rolava
entre os brasileiros sem que um pé português impedisse o grande vexame visual
e, enquanto assistência cantava o famoso olé das touradas em Madrid, os golos
foram acontecendo e somando.
Depois e na seqüência, amigos mimosearam amigos com
torpedos, que o são de fato quando o deboche e as ironias neles contidas, por
mais engraçadas que possam ser, estragam nossas tardes, nossas manhãs e, por
tabela, muitas noites que antes eram de convivência pacifica, alegres e até felizes..
A verdade é que nem a qualidade do futebol brasileiro,
nem a falta dela no nosso, estiveram presentes no contexto dessa humilhação. A
causamor dela esteve refletidana falta de vontade denossos atletas e na ausência de conhecimentos
técnicos de seu treinador.
Porém, com toda a carga que este pesadelo possa
exercer sobre nós, não temos como levantar um dedo contra a alegre exaltação
dos brasileiros que, não vendo grandes méritos em sua seleção, souberam
ridicularizar a nossa por sua postura omissa diante de uma missão que sempre
mexe com o orgulho e a vaidade da grei.
Para atenuar e até neutralizar a densidade desta negra
nuvem que se projetou sobre nós, citaremos o fato de que, no mesmo dia e horas
antes, o Embaixador de Portugal, A. Seixas da Costa, foi recebido e ovacionado
pelo Senado Federal de Brasília, em sua culta oratória exaltando os méritos do
Padre António Vieira, que ali, em sessão extraordinária, estava sendohomenageado, em seu quarto século de
nascimento.
Então, é razoável que olhemos com decênciae coerência a questão, paraconcluirmos sobre o óbvio :a hora de um
encontro entre as vaidosas seleções não era propicia. Portugal vem somando os
resultados mais pífios de sua história futebolística no apuramento para o
campeonato mundial. Está sem comando, perdeu-o quando Filipão se foi. Também não
tem jogadores, os jogadores portugueses, naturalizados ou naturais, jogam bem
nos clubes estrangeiros, na seleção viram pernas de pau e, destituídos de
vergonha, envergonham a nação.
Gabriel Cipriano - Rio de Janeiro
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